sexta-feira, 13 de maio de 2011

Felicidade suprema

A uma hora dessas, seis meses atrás, eu estava a caminho de uma igreja. No banco de trás do veículo, coloquei as mãos nos ombros dos meus pais e não consegui segurar umas três lágrimas que escorreram sobre o meu rosto. Quando cheguei, tinha certeza de que esse seria o dia mais feliz da minha vida. Ao menos até agora.

Após uma espera de pouco mais de meia hora, lá estava ela. Muita gente parada na minha frente me impedia de vê-la imediatamente com seu vestido branco. Mas pelos olhares dos espectadores percebi que estava vestida como a princesa que é.

Chorão que sou, me orgulhei de conseguir segurar as lágrimas, por dois ou três minutos. Tudo passou muito rápido. A felicidade de tê-la no altar foi imensa.

A alegria que ela me traz é imensurável. Nesses últimos meses raramente tracei metas ambiciosas. Pouco me expressei. Quase nada escrevi. Quero aproveitar o dia de hoje para estipular um objetivo. Vamos continuar buscando juntos a felicidade suprema?

*PS: esse texto deveria ter sido publicado às 20h30 (horário de BSB) do dia 12. Mas o sistema do Blogger estava fora do ar, infelizmente.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Surpreendido

O clima é estranho nessa cidade maluca. Quando faz sol, meu apartamento fica frio. Quando faz frio, ele fica quente. Hoje, saí de casa sem casaco e quando cheguei na esquina vi que tinha feito burrada. Bateu aquela brisa gelada e caíram os primeiros pingos da chuva que caracteriza a terra da garoa.

Coloquei a mão no bolso para pegar a chave e voltar para buscar um casaco. Titubeei. Desisti.

Continuei caminhando em direção ao trabalho. De repente, tive a impressão de que um cara estava me seguindo. Comecei a andar mais rápido e ele apertou o passo.

Olhei para trás com um olhar bravo. O cara esticou a mão com uma nota de R$ 10 e me disse: “Moço, você deixou cair esse dinheiro quando atravessou a rua”.

A grana, que era para eu carregar meu Bilhete Único, estava no mesmo bolso da chave. Fiquei roxo de vergonha por ter pensado mal do cara. Agradeci e fiquei sem reação. O homem deu meia volta e seguiu na direção oposta à minha. Ou seja, ele cruzou comigo na rua e me seguiu apenas para me devolver o dinheiro.

Tá certo que não era uma quantia grande. Tá certo que, em um mundo ideal, esperaríamos que todas as pessoas fizessem isso. Mas estamos numa selva de pedras. Num país dos desiguais. Infelizmente, atos como esses ainda nos surpreendem.

Será que o rapaz que me devolveu o “cascalho” não quer se candidatar a algum cargo público? Se bem que, quando eleitos, muitos deles mudam da água para o vinho. E olha que o vinho nem é dos bons, é um daqueles que custam R$ 3,50 mais um Engov.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lá e cá

Algumas semanas atrás achei que eu estava sendo testado ou participando de algum programa com câmera escondida.

Fui colocar R$ 10 em créditos no meu vale transporte (leia-se Bilhete Único) e entreguei uma nota de R$ 20 ao atendente. Ele me entregou o cartão e quatro notas de R$ 10. Olhei para o dinheiro e, na mesma hora avisei o balconista que o troco estava errado. Que ele tinha me dado R$ 30 a mais.

Com um sorriso estampado no rosto e um chefe olhando atravessado, ele me agradeceu imensamente.

- Ainda bem que você me avisou, senão eu que teria de pagar a diferença do caixa.

No dia seguinte, fui almoçar num pé sujo perto do meu trabalho. O dono de lá é meu camarada, um japonesinho palmeirense, gente boa que só. Quando fui pagar o almoço com o cartão de débito, ele digitou o valor errado. Ao invés de R$ 16,50, escreveu R$ 6,50. Incrédulo com a coincidência, olhei para o lado e procurei a câmera da pegadinha do Mallandro. Mais uma vez, avisei que o valor estava errado.

Uns três dias depois fui a uma churrascaria com dois colegas de bancada. A conta deu R$ 19. No entanto, na hora de cobrar, a tiazinha digitou R$ 0,19 na máquina.

- Não é possível. De novo! - falei.

Sem entender, ela respondeu em um tom áspero:

- De novo o que, meu filho? Algum problema?

- Para mim não. Vai ter para a senhora, se não cobrar a minha conta direito.

Ela corrigiu o valor, deu um sorriso amarelo (era amarelado mesmo, seus dentes pareciam pintados com borra de café velho e fumaça de cigarro barato) e me agradeceu.

Não me vanglorio por essa atitude. Mas fico pê da vida quando duvidam de mim. Exemplo: no meu trabalho há uma máquina de café em que é necessário depositar R$ 0,60 para tomar o capuccino. Depositei o dinheiro, a maldita engoliu as moedas, mas não me entregou a bebida. Liguei para o ramal do pessoal da manutenção e ouvi a seguinte recomendação do atendente:

- Se houve algum problema com a máquina, por favor, envie um e-mail e teremos três dias úteis para lhe responder.

E-mail enviado. Passaram-se três semanas, e nada. Palhaçada. Qual a dificuldade em devolver R$ 0,60 que me foram surrupiados?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Xenofobia paulistana

Pensei em ficar quieto depois que li a entrevista do jovem estudante Willian Godoy Navarro, 22 anos, no Terra Magazine. Mas não me aguento.

Sou brasileiro, sul-mato-grossense, descendente de paraguaio, tomador de tereré e moro em São Paulo. Não poderia ficar calado diante dessa afronta.

Mudei-me para essa cidade porque quis. Estou no território do meu país. Sou livre e vou para onde bem entender.

Antes de prosseguir lendo esse post, veja a entrevista do senhor Navarro, por favor. (Em manifesto na web, jovens paulistas criticam migração)

Em síntese, o cara reclama que a cidade está sendo tomada por nordestinos e outros migrantes. Diz que as pessoas que para cá vêm não conhecem a cultura local e que não a valorizam.

O pior, é o camarada valorizar o tal dos bandeirantes. Aliás, isso é bem coisa de paulista mesmo. Os bandeirantes entraram pelo país matando índio para tudo quanto é lado. Atiravam em tudo que se movia. Uma beleza. Eles, sim, precisam ser valorizados.

O camarada acha que as 10 milhões de pessoas que vivem na cidade são todas paulistanas. Não sei se o Censo do IBGE vai ser tão detalhista, mas se for, vai provar a esse rapaz que boa parte da população que construiu essa cidade não é nascida em berços paulistas.

A visão desse cidadão e do grupo que ele representa é quase nazista. Será que é essa a cultura de São Paulo? Será que é isso que São Paulo espera dele?

O trecho que ele cita que a cidade produz boa parte das riquezas do país, mas pouco recebe em troca é bizarra. E a distribuição igualitária de renda? Onde fica?

Deixo mais uma pergunta para esses "Jovens Paulistas". Vocês acham que o os sertanejos vão continuar no Estado deles se o investimento feito na região for proporcional aos impostos pagos por eles?

O discurso desse rapaz parece uma propaganda recente do Orestes Quércia no horário do PMDB. Simplesmente, ridículo.

Com certeza, esses mauricinhos nunca estiveram numa comunidade ribeirinha do Pantanal. Nunca viram a seca do Nordeste. Nem sonham que na Amazônia há cidades que dependem apenas da ajuda do governo para viver.

Esses são daquele tipo criado no apartamento da vovó e viviam levando bronca porque derramaram Coca-Cola no tapete enquanto brincavam de peteca na sala. Nas férias, só viajam para a Europa ou Estados Unidos.

Faça-me o favor. Se acha que aqui está insuportável, se o que é diferente lhe incomoda, mude-se para a Suíça. Quem sabe lá, você é respeitado e consegue um bom emprego, injete dinheiro na economia local.

Ah, mas como você não gosta de pedreiros (como deixou bem claro na sua entrevista), só de empreiteiros, lembre-se que além de fazer o projeto da obra, você terá de executá-la também. Mãos à obra, cidadão paulistano.

*PS: Esse post é um desabafo em relação aos ideais desse grupo, que, com certeza, não representa a totalidade dos cidadãos paulistas.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Coisa linda


Não tenho muito o que dizer. A imagem, fala por si. Agora, exatamente nesse instante, gostaria de estar nesse avião. De um lado, um lindo arco-íris. Do outro, o excepcional mar Mediterrâneo da fantástica Nice. Não sou um turista profissional. Mas essa cidade, com certeza é uma das mais bonitas do mundo. Pronto. Já falei demais.
(Crédito da foto: Lionel Cironneau/AP.)