segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

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Lendo assim parece que crianças estão aprendendo a contar. Não?

Mas engana-se. Essa é a idade que São Paulo comemora hoje, dia 25 de janeiro de 2010. Uma cidade tão velha e tão moderna ao mesmo tempo. Louco né? Nunca vi lugar com tanta gente diferente. Com cabelos das mais variadas cores, com opções sexuais, musicais, gastronômicas e profissionais tão esdrúxulas.

O mais doido nisso tudo é que o poeta (ou era compositor?) costumava chamar a cidade de “Terra da Garoa”.

Acho que se a poesia (ou é uma música?) fosse composta hoje, o apelido seria outro: “Terra da Enchente”. Ok, ok, está certo que há mais de um mês não para de chover nesse “mundinho” de Deus.

Do jeito que está o seu “Taxab”, o Prefeito Gordinho, vai ter que mudar o Bilhete Único. O tal do cartãozinho vai ter que dar acesso também a bote, lanchas, chalanas, barcos, e derivados, e não só a ônibus e metrô.

Aliás, dias desses um amigo meu me disse que na terra dele a única encomenda que chega é a feita pelo Submarino. As outras todas estão encalhadas. Provavelmente, estão esperando o rio Tietê parar de transbordar ou o Jardim Pantanal se tornar Jardim Saara.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Inércia?

Avenida Amaral Gurgel, 13h20. Um homem armado aponta uma pistola para três pessoas que tinham acabado de sair de uma agência bancária. Assustados, uma mulher e seu filho de oito anos, que estavam entre os três ameaçados, entram em um bar. O pai do garoto é pego pelo braço e escuta o assaltante pedir que entregasse todo o dinheiro sacado no banco_cerca de R$ 6 mil.

A vítima diz que não estava com o dinheiro. Curiosos começam a se juntar. O menino sai de dentro do bar e grita para o bandido: "Não mate meu pai, moço". Como não recebe o dinheiro, o assaltante, um homem magro aparentando ter 30 anos, sai correndo e monta na garupa de uma moto. Ele tem o cuidado de tapar a placa do veículo.

Uma quadra depois, ele desce da moto e entra em um Palio Weekend branco com insulfilm. Nada foi roubado e ninguém ficou ferido.

Uma testemunha informa à Polícia Militar que havia ocorrido uma tentativa de assalto e disse qual era a placa do carro. Na mesma hora, a PM vê em seu sistema que o veículo pertence a um homem, de 26 anos, morador da Grande São Paulo. Mesmo sabendo de quem era o veículo ninguém foi preso naquele dia nem levado à delegacia para prestar esclarecimento. Qual será o motivo?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PT + PSDB?


Fiquei um bom tempo sem ler nada sobre a política do digníssimo Estado de Mato Grosso do Sul. Hoje, ao navegar por um dos sites que costumo acessar me deparei com a notícia de que o ex-governador Zeca do PT (de boné branco), que pretende concorrer de novo ao cargo no ano que vem, esteve reunido com o ex-prefeito e ex-senador Lúdio Coelho (PSDB, de chapéu) para quem pediu que indicasse um candidato a vice em sua chapa.

Pode parecer estranho os tucanos se bicarem com petistas, não? Pois é, mas isso está acontecendo mais uma vez. O duro é que em MS essas duas figuras sempre foram adversárias. Não era como José Serra e Lula que lutaram contra a ditadura militar e, quando a democracia se recompôs, caminharam cada um para o seu lado. Pelo contrário.

Lúdio sempre foi um conservador convicto. Um fazendeiro, apoiador da ditadura e que nos últimos anos tem ganhado dinheiro vendendo suas terras para o Incra.

Zeca era um sindicalista de esquerda. Tá certo que depois que passou pelo governo, como todo bom petista, esqueceu-se de algumas de suas teorias. Chegou até a aprovar uma lei estadual que voltava a conceder pensão vitalícia para ex-governadores. Ele, logicamente, seria beneficiado caso a legislação não tivesse sido considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

De qualquer forma, jamais imaginei que Lúdio e Zeca poderiam se unir. Ingenuidade minha? Talvez.

Toda vez que vejo o Zeca me lembro de seus discursos a favor dos sem-terra (se bem que quando ele foi governador deixou muitos deles a Deus dará só vivendo às custas de cestas básicas). Lembro de seus programas assistenciais, da corrupção de seu governo e de seus embates com os ruralistas.

Quando vejo a figura do velho Lúdio (hoje com 87 anos) lembro de um episódio que me contaram de quando ele foi prefeito,entre as décadas de 80 e 90. Um grupo de sem-terra estava reunido em uma praça da cidade, próxima à prefeitura. Em dado momento, Lúdio mandou despejar um caminhão de terra preta nos trabalhadores. "Não é terra que eles querem. Então tomem terra". Acho que esse episódio só não resultou em morte porque o MST não era tão forte assim naquela época e talvez não tivesse tanta gente armada.

Analisando o movimento político de Zeca ele está tentando de todas as formas minar o poder do atual governador André Puccinelli (PMDB) que costumava ter todos os seus aliados bem debaixo de suas asas.

Roubar o apoio dos ruralistas pode ser um golpe letal contra as pretensões peemedebistas. O engraçado mesmo vai ser ver a tucanada indo a rua fazer campanha para Zeca. Alguém já imaginou ver a senadora Marisa Serrano (que baba de raiva contra o governo Lula), o ex-petista Ben-Hur Ferreira, o deputado estadual Reinaldo Azambuja ou o prefeito Flávio Kayatt andando pelas ruas de MS com uma estrela vermelha no peito e gritando "Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma. Olê, olê, olê, olá, Zeca, Zeca!"?. Vai ser engraçado, mesmo!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Atenção centenários

Eita, hoje morreu o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, aos 100 anos. Já li alguma coisa dele na faculdade, se não me engano. Também bateu as botas hoje o escritor espanhol Francisco Ayala, aos 103. Dele não li nem orelha de livro.

Não sei, não. Mas acho que alguém no andar de cima está de mal dos centenários. Oscar Niemeyer, de dona Canô, ambos com 102, que se cuidem.

Eu tinha uma bisavó que foi para o piso superior com mais de cem. Acho que a coroa tinha uns 102, mas não tenho certeza. O engraçado é que a velhinha era uma animação só. Conversava em guarani, adorava banana e estava sempre com um sorriso no rosto. Depois de se casar três vezes e ter 19 filhos (ou quase isso), dizia que estava em busca de um novo marido. Quanta disposição.

Não sei como era a vida dessas duas estrelas literárias que se foram hoje. Mas viver até os cem anos tem de ser com dignidade. Se não for assim, é melhor partir antes.

De qualquer forma, achando que a dona Morte, aquela da turma do Penadinho, está solta por aí. O recado foi dado. Se você já assoprou uma centena velinhas num bolo de aniversário prepare seu testamento. Depois não diga que ninguém avisou.

Fonte da imagem:
http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://idontlikemondays.files.wordpress.com/20

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A cara do coroa

Era um início de mês. Plantão de jornalistas na sede da PF. 42 repórteres (somando os dos bloquinhos e os das imagens) aguardam a saída do cidadão responsável pelas manchetes dos últimos quatro dias.

Desde às 8h da matina há jornalista no local. O mais experiente deles, certamente, é um cidadão de ralos cabelos brancos, com seus 60 e poucos anos de idade e 30 e tantos de jornalismo. Lá está ele sentado no pé da escadaria, com seus 1,80m de altura, e perto dos 100 kg, com uma bolsa cinza escorada no ombro esquerdo, a máquina Canon pendurada no pescoço e um óculos simples, quase sem detalhes.

Brincalhão, o fotógrafo é o mais zoado pelos colegas com tatuagens espalhadas pelos braços, cabelos da modinha e brincos de argola. "Olha lá, Grandão. Agora o homem vem". Só o tiozão corre para a porta do prédio e quase todos caem na gargalhada.

Por volta das 14h, quando chegou o substituto do Grandão, ele entra no prédio dizendo que vai ao banheiro. Antes disso, um policial falastrão tinha acabado de sair da sede e falar que achava que o depoimento do cara já havia terminado.

Quando o fotógrafo volta do banheiro, ele corre em direção aos colegas, olha para trás e fala em alto e bom som: "É o cara". Todos, sem exceção, despertam, correm, amontoam-se e miram câmeras (fotográficas e filmadoras) em direção à porta.

Quando menos esperam, o tão sacaneado fotógrafo vai até a porta, vira para os colegas, joga uma moeda para cima e diz: "Deu cara". A galera fecha o semblante. "É bom ver um bando de trouxas reunidos", concluiu gargalhando.