quinta-feira, 25 de junho de 2009

De volta ao assunto

Para não deixar o tema morrer tão rápido, resolvi escrever, ou melhor, sugerir algumas leituras sobre a malfadada decisão do Supremo Tribunal Federal que resolveu que não é necessário o diploma de jornalista para exercer a profissão.

Selecionei alguns textos que encontrei na internet sobre o assunto. Alguns são de jornalistas, outros de blogueiros com os quais me identifiquei.

Que fique bem claro. Sou totalmente contra a decisão do STF, que foi baseada em um relatório do falastrão (ou seria melhor fanfarrão?) Gilmar Mendes.

Diz o jornalista
Leandro Fortes, da Carta Capital: “O fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo é uma derrota para a sociedade brasileira, não esta que discute alegremente conceitos de liberdade de expressão e acredita nas flores vencendo o canhão, mas outra, excluída da discussão sobre os valores e os defeitos da chamada “grande imprensa”.

Roberto Mancuzo, jornalista em Presidente Prudente (SP), acredita que as empresas não querem perder tempo com escolhas erradas e, mesmo com a decisão dos ministros supremos, vão investir em jornalistas graduados.

“O diploma é só papel. conhecimento em quatro anos de faculdade vale muito mais e duvido que, em são consciência, só para ficar numa das defesas mais clássicas, alguém vá contratar uma pessoa só porque ela escreve mais ou menos ou é apenas 'sacada'. Empresas jornalísticas são capitalistas, não querem perder tempo ou dinheiro com escolhas erradas”, diz Mancuzo.

O duro, P.Y falando, é que uma coisa é fazer jornalismo em cidade grande. Em regiões metropolitanas ou até mesmo em Estados desenvolvidos. A outra, completamente diferente, é trabalhar no interior do país, onde a única coisa que garante o mínimo de seriedade ao trabalho é a obrigatoriedade do diploma.

É mais ou menos nessa linha que segue o raciocínio de jornalista
Esmael Morais, da Editora Tática Comunicação Integrada. “O diabo é que muitos picaretas vão se travestir de jornalista para aprofundar as trevas, que andam rondando as instituições democráticas brasileiras”.

Já o blog
Montanha dos Sete Abutres fez uma bela interpretação da decisão ministerial. “Posso ser o que eu quiser, afinal a Constituição me assegura o direito ao trabalho.Posso ser médica porque eu sei fazer curativo. Posso ser engenheira porque sou craque nos predinhos de lego. Posso ser chef porque todo mundo adora a minha lasanha. Posso ser atriz, porque na minha TPM choro como ninguém. Posso ser veterinária porque sei dar comida, banho e fazer um carinho no bichinho. Posso ser jornalista porque sei ler e escrever. Posso ser magistrada porque sei tomar decisões ridículas. Costureira? Não, não posso senhor Gilmar, não sei nem pregar um botão...”

Plínio Bortolotti, em seu blog no site do jornal O Povo, diz que “agora é tocar a bola para a frente. O diploma ‘acabou’, mas o jornalismo continua, como não poderia ser diferente. Vamos, então fazê-lo, pois é isso que cabe aos jornalistas, com ou sem ‘diploma’”.

Para não deixar esse texto muito mais longo, encerro com parte da opinião de
Marcelo Träsel, professor e consultor em novas mídias de Comunicação PUC-RS. O que ele afirma, é um pouco do que eu escrevi no post passado, quando eu disse que quem quer liberdade de expressão pode criar um blog, como eu fiz e fizeram os demais citados nesse espaço.

“A conclusão é que as ferramentas de publicação na Web contemporâneas permitem a qualquer pessoa com acesso a um computador conectado manifestar-se na esfera pública e, portanto, neutralizam de saída argumentos em ambos os lados do debate”.

Os interessados no tema, não acreditem apenas em minhas palavras. Leiam na íntegra os textos dos camaradas citados e tirem suas próprias conclusões.

Um comentário:

Juanita disse...

A cada dia que passa fico mais impressionada com a tamanha inteligência desse "P.Y" (que de uma de certa forma ainda é macaco (rs) novo na profissão) e com a burrice desses nossos governantes do STF. Estou indignada com a decisão tomada. Já estou me preparando se um dia o tal (ou qualque um outro de sua laia)disser que para ser nutricionista só será preciso... saber cozinhar!
Um beijoooo