Quando eu era um guri lá pras bandas do Mato Grosso (do Suuuuul) gostava de ler poesias e poemas. Até me atrevia a escrever algumas bobagens. Registrei todas essas "poesias" em dois caderninhos que nem sei mais onde estão.
O tempo passou. E como percebi que não levava jeito para a coisa, desisti de escrevê-las. Da mesma forma, me afastei delas quase que por completo.
Recentemente, lendo uns textos de concurso, vi que deveria retomar a leitura (até ganhei um livro com um punhado de escritos que folheio vez ou outra).
O tempo afastado daquelas frases concisas e, ao mesmo tempo, tão profundas me deixou um pouco ignorante. Nem sempre consigo interpretá-las.
Hoje, assistindo ao Bom dia Brasil vi uma reportagem bem meia-boca sobre o Dia dos Namorados. Mas nela continha algo interessante, que na hora que a vi pensei em escrever algo porque lembrei de minha princesa. Era o seguinte trecho colhido do poema "O ameaçado" do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899 - 1986):
"Estar ou não contigo é a medida do meu tempo".
O dia 12 de junho, além de toda essa carga emocional que criaram para os enamorados, traz-me boas lembranças. Oito anos atrás comecei a namorar a mulher mais linda (por dentro e por fora) do mundo. A companheira que qualquer um procura.
Ao lado dela, sou o homem mais feliz do Oeste (do Norte, do Sul...). Sinto não ter criatividade para poder criar um belo texto. Por isso, gostaria de oferecer a ela, e a todos os eternos apaixonados, o poema completo de Borges.
O ameaçado
É o amor. Terei de me esconder ou fugir.
Crescem as paredes de seu cárcere, como em um sonho atroz.
A bela máscara mudou, mas como sempre é a única.
De que me servirão meus talismãs: o exercício das letras, a vaga erudição, o aprendizado das palavras que usou o vago norte para cantar seus mares e suas espadas, a serena amizade, as galerias da biblioteca, as coisas comuns, os hábitos, o jovem amor de minha mãe, a sombra militar de meus mortos, a noite intemporal, o gosto dos sonho?
Estar ou não contigo é a medida do meu tempo.
O cântaro já se quebra sobre a fonte, já se levanta o homem à voz da ave, já escureceram os que olham pelas janelas, mas a sombra não trouxe a paz.
É, eu sei, é o amor:
a ansiedade e o alívio de ouvir tua voz, a espera e a memória,
o horror de viver o sucessivo.
é o amor com suas mitologias, com suas pequenas magias inúteis.
Há uma esquina pela qual não me atrevo a passar.
agora os exércitos me cercam, as hordas.
(este quarto é irreal; ela não o viu.)
O nome de uma mulher me delata.
doí-me uma mulher por todo o corpo.
--Poema de Jorge Luis Borges --
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Há 14 anos

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