quinta-feira, 9 de julho de 2009

Feriado em Bananópolis


Ruas estreitas onde só há espaço para passar um veículo por vez. O comércio está em pleno funcionamento. Padarias com filas para comprar pães ou doces. Botecos cheio de marmanjos bebendo cerveja, batendo papo, jogando dominó ou se divertindo nas máquinas caça-níqueis e mesas de sinuca.
Nem parece feriado de 9 de julho. Para onde se olha, há um grupo de pessoas rindo à toa ou só observando o movimento da rua.
Na noite de ontem, uma garota foi baleada quando chegava em sua casa, em frente à uma igreja. A família ainda está abalada com o ferimento feito na menina, de oito anos.


"Dona Zefa, rezei a noite inteira para sua neta. Ela ‘tá’ bem?", pergunta uma senhora para a avó de Tatiana, a garota baleada.

"Graças a Deus. ‘Tá’ lá no hospital Agora não corre mais riscos", afirma a senhora de 46 anos de idade, mas com corpinho 64. Quase todos que passam pela casa da garota ferida perguntam como ela está.

Em Bananópolis, uma das maiores favelas da louca cidade sul-americana, é comum ver motoqueiros trafegando sem capacete e rampando quebra-molas (ou cacorutos, como diz uma mineira que conheço).

O local tem a pecha como de ser um dos mais violentos da cidade. A PM afirma que lá é muito comum a incidência de traficantes de drogas. Em um tom preconceituoso, um oficial da corporação diz que a maior parte das 200 mil pessoas que vivem lá estão diretamente ligadas ao crime organizado.

De fato, há várias infrações à legislação. Caça-níqueis, jogo do bicho, caminhões vendendo gás de cozinha sem autorização e gatos de energia são vistos facilmente. Mas não dá para generalizar, como fez o policial.

O que o oficial esqueceu de dizer é que, muitos dos crimes que ocorrem na região (e no país como um todo) acontecem com a conivência da própria polícia.

"É difícil a gente ver a polícia por aqui. Eles não entram muito porque são parceiros do pessoal do jogo do bicho e da ‘farinha’", fala um morador. Para um bom entendedor, meia palavra basta.

Como raramente vão até o local, os policiais não conhecem muito as travessas e vielas de Bananópolis. Talvez por isso, um deles tenha feito o disparo que acertou a pequena Tatiana no tórax.


Crédito da Imagem: Quadro de Bryan Orquiza, obtido no site Hielo Azul

*PS:Todos os nomes, inclusive o da favela, são fictícios

Nenhum comentário: