Brasil cede em Itaipu para beneficiar Lugo. A manchete deste sábado (18/07/09) d’O Estado de S. Paulo mostra como a imprensa e a população de maneira geral continuam com uma imagem ultranacionalista e protecionista do nosso país em relação aos demais países periféricos.
Não dá para esperar que relações entre países sejam uma via de mão única. O Brasil não deve fazer com os países subdesenvolvidos o que as grandes potências sempre fizeram conosco. Em relações internacionais, não é admissível esperar a submissão por uma das partes.
Há quem diga que a parceria do Brasil com os guaranis para a instalação da hidrelétrica de Itaipu seja resquício da Guerra do Paraguai e por isso mesmo não deveria haver nenhuma revisão do atual contrato que prejudica o lado mais fraco. Pelo contrário.
Longe de mim ser defensor do atual governo brasileiro. Só penso que ceder algumas vezes faz parte dos relacionamentos, principalmente entre Estados soberanos.
O que o Brasil está fazendo é o que ele espera que seja feito consigo mesmo. Se tivéssemos o mesmo retorno dos Estados Unidos ou da Inglaterra em outros tempos, talvez não estivéssemos tão atrasados.
Não acredito que Lula queira beneficiar Fernando Lugo. Há momentos em que é necessário despersonificar algumas atitudes de governos.
A visão de que um acordo entre os dois presidentes seria uma forma de melhorar a avaliação de Lugo (que foi bispo da Igreja Católica e tem mais filhos que um coelho) é demasiadamente simplista.
Há pouco mais de um ano, conheci em um albergue um senhor francês (Jean) que passeava em São Paulo. Aposentado, ele trabalhou durante quase toda a vida com educação de jovens infratores na França.
Além de conhecer a América do Sul, a viagem dele tinha como objetivo fazer serviço social e voluntário em alguma comunidade pobre do continente.
Antes de vir ao Brasil, Jean esteve na Argentina. Lá, dizia ele, o povo não é tão pobre. Aqui, só é desorganizado e suja muito as ruas. Depois de ficar pouco mais de duas semanas percorrendo diversos pontos de São Paulo e conversar com meio mundo, decidiu ir para a Bolívia.
“Pelo que pesquisei, lá sim tem gente miserável”, me falou Jean. E seguiu seu rumo. Qual foi o resultado da experiência dele? Não sei. Infelizmente não falei mais com ele. O camarada é meio avesso à internet e disse que ficaria com meus telefones para um eventual contato.
De qualquer forma, contei essa história para ressaltar que algumas vezes, pelo menos, é preciso parar de olhar para o próprio umbigo e pensar um pouco nos menos favorecidos.
Admito: é fácil falar, tudo isso. Difícil é concretizar.
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Há 14 anos

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