Por dinheiro se faz tudo. Ao menos é essa a aparente filosofia das redes de TV brasileira. Ao invés de valorizar o maior torneio continental de futebol, a Rede Globo tem pensado apenas na audiência para transmitir jogos do campeonato brasileiro.
O ápice do absurdo ocorreu no ano passado, quando, em São Paulo, preferiu passar uma partida do Corinthians na segunda divisão a transmitir a final da Taça Libertadores da América entre o Fluminense e a LDU.
Neste ano, a cena se repete. Como não nenhum time paulista na final da Libertadores (entre Cruzeiro e Estudiantes), a TV dos Marinho vai transmitir Flamengo e Palmeiras. Na semana passada, durante a primeira partida da final, o televisionável foi Corinthians e Fluminense.
É o máximo da desvalorização dos grandes torneios esportivos. O ex-jogador e magistral colunista Tostão, já fez o alerta na semana passada em sua coluna na Folha de S. Paulo: "Cruzeiro e Estudiantes fazem hoje o primeiro jogo decisivo. A Taça Libertadores da América é o título mais importante e mais desejado pelos clubes brasileiros e argentinos.
Mesmo assim, a CBF, para atender aos interesses da Globo, adiou o jogo entre Corinthians e Fluminense para o mesmo dia e horário da partida da Libertadores. Para a Globo, o jogo pelo Brasileiro dá mais audiência no Rio e em São Paulo".
Além disso, há outros problemas em relação ao Brasileiro, conforme noticiou ontem a coluna Painel FC, também da Folha.
"A Globo programa transmitir em TV aberta 12 jogos do Corinthians de um total de 19 do primeiro turno do Brasileiro. Algumas partidas, que serão em São Paulo, devem passar só fora da cidade. Com isso, os corintianos terão três jogos a mais na tela global em relação a São Paulo e a Fluminense, os segundos. É um reflexo da política da emissora para o Corinthians da era Ronaldo. Em toda a temporada, a emissora usou até agora 70% das partidas do time. Executivos da Globo não foram encontrados para comentar a preferência."
Tudo isso porque, segundo Tostão, "vivemos a época do espetáculo e da audiência. Poucos querem saber de análises e de reflexões. Existe uma epidemia de idiotice. Os fatos se tornam importantes de acordo com a audiência. As pessoas passam a ser analisadas por seu comportamento pessoal, não pelo seu trabalho. Alguns jornalistas não querem apenas dar e analisar a notícia. Querem ser a notícia. É o show da audiência".
Mais uma vez, estamos reféns dessa trupe que acha que sabe tudo de futebol, mas antes de transmitir uma partida olha para o próprio bolso.
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Há 14 anos

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