sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Exageros

"Ao abastecer a sua garrafinha, tome cuidado para não encostar o gargalo dela na torneirinha. Isso evita eventual contaminação".


O aviso poderia muito bem ser de algum centro médico, onde a assepsia deve ser extrema. Mas não. Isso está no bebedouro do meu ambiente de trabalho.


Eu já estava achando um absurdo outra medida que eles haviam tomado por aqui, o tal do álcool em gel.


Em todos os andares, nas entradas do prédio e dos banheiros há um potinho, tipo aqueles que comportam sabonete líquido nos toaletes de restaurantes, cheio de álcool em gel.


As medidas, segundo comunicado oficial do departamento de recursos humanos, servem para evitar a proliferação da influenza A (a tal da gripe suína).


A coisa está tão grave que daqui a pouco vão nos proibir de cumprimentar as pessoas com beijos no rosto ou abraços. Talvez até com apertos de mãos. Não estranho nada se todos começarem a se cumprimentar com breves olás seguidos de um rápido aceno.

Imagina se esse povo tomasse tereré. Cada um teria que ter a sua própria guampa e dividiriam, no máximo, a mesma garrafa d'água. Isso é, se eles não tivessem encostado a garrafa na torneirinha do bebedouro.


Mas há um lado bom nessa história. Após a lei antifumo, o álcool em gel está servindo para alguma coisa. Explico. Dias desses chegava ao trabalho e vi quatro pessoas fumando na calçada do prédio. Um deles me cumprimentou. Como não poderia deixar de ser, fiquei com a mão podre de cigarro. Aproveitei o potinho e troquei o cheiro de fumaça pelo de álcool.


Será que o exagerado sou eu?

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