quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A cara do coroa

Era um início de mês. Plantão de jornalistas na sede da PF. 42 repórteres (somando os dos bloquinhos e os das imagens) aguardam a saída do cidadão responsável pelas manchetes dos últimos quatro dias.

Desde às 8h da matina há jornalista no local. O mais experiente deles, certamente, é um cidadão de ralos cabelos brancos, com seus 60 e poucos anos de idade e 30 e tantos de jornalismo. Lá está ele sentado no pé da escadaria, com seus 1,80m de altura, e perto dos 100 kg, com uma bolsa cinza escorada no ombro esquerdo, a máquina Canon pendurada no pescoço e um óculos simples, quase sem detalhes.

Brincalhão, o fotógrafo é o mais zoado pelos colegas com tatuagens espalhadas pelos braços, cabelos da modinha e brincos de argola. "Olha lá, Grandão. Agora o homem vem". Só o tiozão corre para a porta do prédio e quase todos caem na gargalhada.

Por volta das 14h, quando chegou o substituto do Grandão, ele entra no prédio dizendo que vai ao banheiro. Antes disso, um policial falastrão tinha acabado de sair da sede e falar que achava que o depoimento do cara já havia terminado.

Quando o fotógrafo volta do banheiro, ele corre em direção aos colegas, olha para trás e fala em alto e bom som: "É o cara". Todos, sem exceção, despertam, correm, amontoam-se e miram câmeras (fotográficas e filmadoras) em direção à porta.

Quando menos esperam, o tão sacaneado fotógrafo vai até a porta, vira para os colegas, joga uma moeda para cima e diz: "Deu cara". A galera fecha o semblante. "É bom ver um bando de trouxas reunidos", concluiu gargalhando.

Nenhum comentário: