quarta-feira, 28 de abril de 2010

Começou a guerra

Senador ferido. Exceção decretada. Exército na rua. Milícia também. Brasileiro preso. Paraguaio apreensivo. Bispo no governo. Maconha na fronteira. Helicóptero no ar. EUA na retaguarda. Brasil só olhando. Ingredientes de uma guerra que acabou de começar no quintal sul-americano.

sábado, 24 de abril de 2010

Exceção ou perpetuação?

O bicho tá pegando do lado de lá da fronteira.

Um tal de Exército do Povo Paraguaio está aterrorizando ao menos cinco departamentos (estados) guaranis. Já sequestraram fazendeiro, explodiram prédio público, atacaram delegacias e mataram quatro pessoas em uma fazenda depois de uma emboscada.

Diante desse cenário, a Câmara dos Deputados aprovou o estado de exceção, segundo o qual autoriza a suspensão das garantias constitucionais por 30 dias e permite ao governo emitir mandados de prisão, proibir os agrupamentos de populares e os protestos. A proposta ainda precisa ser aprovada em segunda votação no Senado, antes que passe a valer.

O estado de exceção deverá valer em três departamentos que fazem fronteira com estado brasileiro de Mato Grosso do Sul: Alto Paraguai, Concepción, Amambay. Além de San Pedro e Presidente Hayes.

O EPP é um grupo guerrilheiro de esquerda que possui cerca de 100 integrantes e, segundo as autoridades paraguaias, estaria se armando para promover uma revolução. Há a suspeita de que o grupo seja financiado e até treinado pelas Farcs, da Colômbia.

Apesar de haver indícios de ser um grupo organizado, ainda não há provas robustas de que todos os atentados tenham sido cometidos por membros do EPP. Não sou um profundo conhecedor da legislação guarani, mas tenho a impressão de qualquer estado de exceção é temeroso. Talvez a saída fosse reforçar a segurança desses departamentos enviando o exército oficial e aumentando o policiamento da região.

O estado de exceção de Lugo, um ex-bispo de esquerda, pode, na minha visão, ser o primeiro passo para uma perpetuação de poder. Gostaria de estar errado.

Mais sobre o assunto, nos links abaixo:

ABC Color / Estadao / R7 / Folha -1 / Folha -2 / Folha -3

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Diferentes atitudes

E assim falou o presidente: “Todos que tiverem problemas com a Justiça e se demonstre sua culpabilidade não tem lugar em um governo institucionalista e democrático”. “Qualquer pessoa que tiver dificuldades com a Justiça, creio eu que eles terão de renunciar para dar continuidade ao processo de investigação de seus respectivos feitos”, completou o chefe da nação.

Lendo assim, qualquer um se espantaria se as palavras fossem de um presidente brasileiro. E se fosse do presidente do Paraguai? O espanto seria o mesmo?

Pois bem, as duas frases foram ditas pelo mandatário guarani Fernando Lugo durante uma coletiva de imprensa ao ser indagado o que ocorreria com o ministro do Esporte de seu governo que passou a ser investigado em um processo judicial.

Dias depois, o então ministro Javier Darack foi demitido do cargo. Ok, ok. Você vai me dizer que o Paraguai está enfrentando uma crise por conta dos escândalos sexuais do bispo-presidente e por conta das denúncias de corrupção. Tem razão. Mas um presidente admitir que vai exonerar seus subalternos por conta de investigação não é algo comum na América Latina.

Não me lembro de isso ocorrer no Brasil, que tanto critica o Paraguai!

Foram poucos os casos recentes. Aliás, me recordo muito bem de dois: José Dirceu e Antonio Palocci. Mas nos casos deles, se o presidente Lula não os tirassem de seus cargos, era decretar um suicídio político.

Outro ponto que chama atenção na postura de Lugo é que ele frequentemente enfrenta toda a imprensa de seu país. No começo de sua gestão, havia uma entrevista coletiva semanal, na qual o presidente fazia um breve pronunciamento sobre as ações do governo e, em seguida, respondia a todas as perguntas dos jornalistas. Atualmente, ao que me parece, elas não são tão frequentes, mas ocorrem pelo menos uma vez por mês.

Melhor ainda é que a população pode acessar as entrevistas na íntegra no site oficial da presidência paraguaia. Nela são identificadas também os repórteres que perguntaram. Que bela transparência, não?

Voltando ao país tupiniquim. Quantas coletivas o Lula deu desde que assumiu o cargo em 2003? Acho que dá para contar nos dedos de uma única mão.

Enfim, desde que o mundo é mundo, todos os governos enfrentam denúncias de corrupção ou qualquer. Cabe a cada um se posicionar adequadamente diante dessas irregularidades, sem levar em conta o jogo político. Será que isso é tão difícil?