quinta-feira, 15 de abril de 2010

Diferentes atitudes

E assim falou o presidente: “Todos que tiverem problemas com a Justiça e se demonstre sua culpabilidade não tem lugar em um governo institucionalista e democrático”. “Qualquer pessoa que tiver dificuldades com a Justiça, creio eu que eles terão de renunciar para dar continuidade ao processo de investigação de seus respectivos feitos”, completou o chefe da nação.

Lendo assim, qualquer um se espantaria se as palavras fossem de um presidente brasileiro. E se fosse do presidente do Paraguai? O espanto seria o mesmo?

Pois bem, as duas frases foram ditas pelo mandatário guarani Fernando Lugo durante uma coletiva de imprensa ao ser indagado o que ocorreria com o ministro do Esporte de seu governo que passou a ser investigado em um processo judicial.

Dias depois, o então ministro Javier Darack foi demitido do cargo. Ok, ok. Você vai me dizer que o Paraguai está enfrentando uma crise por conta dos escândalos sexuais do bispo-presidente e por conta das denúncias de corrupção. Tem razão. Mas um presidente admitir que vai exonerar seus subalternos por conta de investigação não é algo comum na América Latina.

Não me lembro de isso ocorrer no Brasil, que tanto critica o Paraguai!

Foram poucos os casos recentes. Aliás, me recordo muito bem de dois: José Dirceu e Antonio Palocci. Mas nos casos deles, se o presidente Lula não os tirassem de seus cargos, era decretar um suicídio político.

Outro ponto que chama atenção na postura de Lugo é que ele frequentemente enfrenta toda a imprensa de seu país. No começo de sua gestão, havia uma entrevista coletiva semanal, na qual o presidente fazia um breve pronunciamento sobre as ações do governo e, em seguida, respondia a todas as perguntas dos jornalistas. Atualmente, ao que me parece, elas não são tão frequentes, mas ocorrem pelo menos uma vez por mês.

Melhor ainda é que a população pode acessar as entrevistas na íntegra no site oficial da presidência paraguaia. Nela são identificadas também os repórteres que perguntaram. Que bela transparência, não?

Voltando ao país tupiniquim. Quantas coletivas o Lula deu desde que assumiu o cargo em 2003? Acho que dá para contar nos dedos de uma única mão.

Enfim, desde que o mundo é mundo, todos os governos enfrentam denúncias de corrupção ou qualquer. Cabe a cada um se posicionar adequadamente diante dessas irregularidades, sem levar em conta o jogo político. Será que isso é tão difícil?

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