segunda-feira, 12 de julho de 2010

O pé frio da Copa

A Copa acabou e um vazio ficou no peito de muita gente. Ainda bem que a Espanha ganhou da Holanda, mesmo sem jogar um futebol convincente. Nada contra a seleção laranja, mas seria uma triste ironia ver um time dos caras que implantaram o apartheid vencer em solo sul-africano.

Já pensou o que os africâners diriam aos negros que eles sempre detestaram. Tá certo que na atual laranja mecânica tem alguns negros e o segregacionismo, teoricamente, morreu. Mas sua torcida em solo africano, na maioria, continuava sendo os defensores do apartheid.

Foi bonito ver Nelson Mandela, aos 92 anos de idade e com dificuldades para camimhar, desfilando em um carrinho de golfe no principal estádio da Copa. Sei que esse cidadão não é santo, mas me emociono quase sempre quando vejo sua figura.

Acho que a Espanha só ganhou porque eu, oficialmente, não torci por ninguém na final. Acho que ao lado do Mick Jagger fui um dos pés frios do mundial. Torci para o Brasil e para o Paraguai, ambos caíram nas quartas. Torci para o Uruguai, que caiu na semifinal e acabou em quarto lugar. Depois, deixei de torcer.

Se eu fosse o polvo Paul, a essal altura já teria virado ingrediente de uma paella porque teria errado 80% dos resultados.

Falando em moluscos, foi estranho saber que o presidente brasileiro não estava na partida final do Mundial. Tá certo, que tem muito jogo político nessa história. Mas não é faltando um evento desse porte que o Lula vai conseguir derrubar o ditador Ricardo Teixeira. Esse tirano só não estará na Copa brasileira se ele bater as botas.

Parabéns, Espanha. Que venha 2014! Mas antes tenho de comprar um par de meias de lã.

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