quarta-feira, 21 de julho de 2010

A preço de banana

Como os amigos sabem, estou numa fase de economia geral. Isso é bom. Estou reaprendendo a fazer contas. Vocês sabem que jornalista não manja muito disso. Uma coisa que eu não sabia era que nem ex-gerente de banco e ex-reitor de universidade particular, entre outros, também não sabem as regras da matemática.

Estive bisbilhotando o site do TSE (Tribual Superior Eleitoral) para ver quem são os principais candidatos de nossa terrinha. Quis checar quantos "merréis" cada político amealhou nos últimos anos. Lá, é possível notar que o atual governador André Puccinelli (PMDB) e seu antecessor, Zeca do PT, ficaram ricos enquanto assumiram cargos públicos. Se analisar ano a ano suas declarações de bens, nota-se quanto os cofres públicos contribuíram para o bolso desses cidadãos.

Agora, surpreendi-me mesmo com algumas declarações de outros candidatos, que estou até pensando em deixar de fazer uma economia e fazer algumas propostas para esses cidadãos.

A primeira pessoa com quem quero fazer negócios é o vice-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campo Grande e ex-gerente de banco, Edil Albuquerque (PMDB). Para quem não se lembra, ele é aquele que parece o Sonic envelhecido.

Edil declarou que tem dois terrenos no bairro Rita Vieira, quase em frente ao Rádio Clube Campo, que custam, cada um, R$ 693,98. Estou meio por fora dos preços da cidade, mas acho difícil encontrar um pedaço de terra em um local tão valorizado por um preço desses.

O candidato Edil, que é suplente de senador na chapa de Murilo Zauith (DEM), ainda disse ter quatro apartamentos no Bahamas Apart Hotel. Até aí tudo bem, o que chama a atenção é a diferença de preços entre as quatro unidades. Um deles custa R$ 70 mil. O outro, R$ 60 mil. O terceiro vale R$ 37 mil e o último R$ 10.147. Por que essa diferença tão grande?

Para quem gosta de viver pelos ares, vale também propor um negócio para Pedro Chaves dos Santos Filho, ex-reitor da Uniderp e candidato a 1º suplente do senador Delcídio do Amaral (PT).

Ele declarou ter R$ 69 milhões em bens, aplicações financeiras e dinheiro vivo. Mas essa fortuna pode ser maior, se levarmos em conta os valores reais das duas aeronaves que ele disse ter. Na tabela de Pedro Chaves, um Cessna modelo 182 P custa R$ 60 mil. Para quem comercializa esse bimotor, ele pode variar de R$ 180 mil a R$ 400 mil. O outro aviãozinho dele, um Cessna U206 F, custa cerca de R$ 440 mil, porém, na declaração para o TSE o valor é de R$ 150 mil.

Outra que deve valer a pena negociar é a candidata a vice-governadora pela chapa de Zeca do PT, a advogada Tatiana Ujacow (PV). Em sua primeira eleição, ela declarou ter uma fazenda em Ponta Porã que custa R$ 150 mil. Não é possível saber o tamanho desse imóvel. Imagino que uma fazenda seja bem maior do que um sítio ou uma chácara.

Para encerrar minha banca de negociação, não poderia deixar de lado o “eterno” deputado estadual Londres Machado (PR), que tenta seu décimo primeiro mandato consecutivo.

O “dono” da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul declarou patrimônio de R$ 11 milhões. Uma rápida passada de olhos em seus bens me chamou atenção dois apartamentos que ele diz possuir. Um fica na Abraão Júlio Rahe e outro na rua das Garças, ambos em área nobre da capital sul-mato-grossense. Cada um, segundo os cálculos de Londres, custa R$ 27,7 mil. Uma verdadeira pechincha.

Agora, falando sério. Onde estão a Receita Federal e o Ministério Público numa hora dessas?

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