sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Xenofobia paulistana

Pensei em ficar quieto depois que li a entrevista do jovem estudante Willian Godoy Navarro, 22 anos, no Terra Magazine. Mas não me aguento.

Sou brasileiro, sul-mato-grossense, descendente de paraguaio, tomador de tereré e moro em São Paulo. Não poderia ficar calado diante dessa afronta.

Mudei-me para essa cidade porque quis. Estou no território do meu país. Sou livre e vou para onde bem entender.

Antes de prosseguir lendo esse post, veja a entrevista do senhor Navarro, por favor. (Em manifesto na web, jovens paulistas criticam migração)

Em síntese, o cara reclama que a cidade está sendo tomada por nordestinos e outros migrantes. Diz que as pessoas que para cá vêm não conhecem a cultura local e que não a valorizam.

O pior, é o camarada valorizar o tal dos bandeirantes. Aliás, isso é bem coisa de paulista mesmo. Os bandeirantes entraram pelo país matando índio para tudo quanto é lado. Atiravam em tudo que se movia. Uma beleza. Eles, sim, precisam ser valorizados.

O camarada acha que as 10 milhões de pessoas que vivem na cidade são todas paulistanas. Não sei se o Censo do IBGE vai ser tão detalhista, mas se for, vai provar a esse rapaz que boa parte da população que construiu essa cidade não é nascida em berços paulistas.

A visão desse cidadão e do grupo que ele representa é quase nazista. Será que é essa a cultura de São Paulo? Será que é isso que São Paulo espera dele?

O trecho que ele cita que a cidade produz boa parte das riquezas do país, mas pouco recebe em troca é bizarra. E a distribuição igualitária de renda? Onde fica?

Deixo mais uma pergunta para esses "Jovens Paulistas". Vocês acham que o os sertanejos vão continuar no Estado deles se o investimento feito na região for proporcional aos impostos pagos por eles?

O discurso desse rapaz parece uma propaganda recente do Orestes Quércia no horário do PMDB. Simplesmente, ridículo.

Com certeza, esses mauricinhos nunca estiveram numa comunidade ribeirinha do Pantanal. Nunca viram a seca do Nordeste. Nem sonham que na Amazônia há cidades que dependem apenas da ajuda do governo para viver.

Esses são daquele tipo criado no apartamento da vovó e viviam levando bronca porque derramaram Coca-Cola no tapete enquanto brincavam de peteca na sala. Nas férias, só viajam para a Europa ou Estados Unidos.

Faça-me o favor. Se acha que aqui está insuportável, se o que é diferente lhe incomoda, mude-se para a Suíça. Quem sabe lá, você é respeitado e consegue um bom emprego, injete dinheiro na economia local.

Ah, mas como você não gosta de pedreiros (como deixou bem claro na sua entrevista), só de empreiteiros, lembre-se que além de fazer o projeto da obra, você terá de executá-la também. Mãos à obra, cidadão paulistano.

*PS: Esse post é um desabafo em relação aos ideais desse grupo, que, com certeza, não representa a totalidade dos cidadãos paulistas.

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