O clima é estranho nessa cidade maluca. Quando faz sol, meu apartamento fica frio. Quando faz frio, ele fica quente. Hoje, saí de casa sem casaco e quando cheguei na esquina vi que tinha feito burrada. Bateu aquela brisa gelada e caíram os primeiros pingos da chuva que caracteriza a terra da garoa.
Coloquei a mão no bolso para pegar a chave e voltar para buscar um casaco. Titubeei. Desisti.
Continuei caminhando em direção ao trabalho. De repente, tive a impressão de que um cara estava me seguindo. Comecei a andar mais rápido e ele apertou o passo.
Olhei para trás com um olhar bravo. O cara esticou a mão com uma nota de R$ 10 e me disse: “Moço, você deixou cair esse dinheiro quando atravessou a rua”.
A grana, que era para eu carregar meu Bilhete Único, estava no mesmo bolso da chave. Fiquei roxo de vergonha por ter pensado mal do cara. Agradeci e fiquei sem reação. O homem deu meia volta e seguiu na direção oposta à minha. Ou seja, ele cruzou comigo na rua e me seguiu apenas para me devolver o dinheiro.
Tá certo que não era uma quantia grande. Tá certo que, em um mundo ideal, esperaríamos que todas as pessoas fizessem isso. Mas estamos numa selva de pedras. Num país dos desiguais. Infelizmente, atos como esses ainda nos surpreendem.
Será que o rapaz que me devolveu o “cascalho” não quer se candidatar a algum cargo público? Se bem que, quando eleitos, muitos deles mudam da água para o vinho. E olha que o vinho nem é dos bons, é um daqueles que custam R$ 3,50 mais um Engov.
Abre ( )
Há 14 anos

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