quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lá e cá

Algumas semanas atrás achei que eu estava sendo testado ou participando de algum programa com câmera escondida.

Fui colocar R$ 10 em créditos no meu vale transporte (leia-se Bilhete Único) e entreguei uma nota de R$ 20 ao atendente. Ele me entregou o cartão e quatro notas de R$ 10. Olhei para o dinheiro e, na mesma hora avisei o balconista que o troco estava errado. Que ele tinha me dado R$ 30 a mais.

Com um sorriso estampado no rosto e um chefe olhando atravessado, ele me agradeceu imensamente.

- Ainda bem que você me avisou, senão eu que teria de pagar a diferença do caixa.

No dia seguinte, fui almoçar num pé sujo perto do meu trabalho. O dono de lá é meu camarada, um japonesinho palmeirense, gente boa que só. Quando fui pagar o almoço com o cartão de débito, ele digitou o valor errado. Ao invés de R$ 16,50, escreveu R$ 6,50. Incrédulo com a coincidência, olhei para o lado e procurei a câmera da pegadinha do Mallandro. Mais uma vez, avisei que o valor estava errado.

Uns três dias depois fui a uma churrascaria com dois colegas de bancada. A conta deu R$ 19. No entanto, na hora de cobrar, a tiazinha digitou R$ 0,19 na máquina.

- Não é possível. De novo! - falei.

Sem entender, ela respondeu em um tom áspero:

- De novo o que, meu filho? Algum problema?

- Para mim não. Vai ter para a senhora, se não cobrar a minha conta direito.

Ela corrigiu o valor, deu um sorriso amarelo (era amarelado mesmo, seus dentes pareciam pintados com borra de café velho e fumaça de cigarro barato) e me agradeceu.

Não me vanglorio por essa atitude. Mas fico pê da vida quando duvidam de mim. Exemplo: no meu trabalho há uma máquina de café em que é necessário depositar R$ 0,60 para tomar o capuccino. Depositei o dinheiro, a maldita engoliu as moedas, mas não me entregou a bebida. Liguei para o ramal do pessoal da manutenção e ouvi a seguinte recomendação do atendente:

- Se houve algum problema com a máquina, por favor, envie um e-mail e teremos três dias úteis para lhe responder.

E-mail enviado. Passaram-se três semanas, e nada. Palhaçada. Qual a dificuldade em devolver R$ 0,60 que me foram surrupiados?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Xenofobia paulistana

Pensei em ficar quieto depois que li a entrevista do jovem estudante Willian Godoy Navarro, 22 anos, no Terra Magazine. Mas não me aguento.

Sou brasileiro, sul-mato-grossense, descendente de paraguaio, tomador de tereré e moro em São Paulo. Não poderia ficar calado diante dessa afronta.

Mudei-me para essa cidade porque quis. Estou no território do meu país. Sou livre e vou para onde bem entender.

Antes de prosseguir lendo esse post, veja a entrevista do senhor Navarro, por favor. (Em manifesto na web, jovens paulistas criticam migração)

Em síntese, o cara reclama que a cidade está sendo tomada por nordestinos e outros migrantes. Diz que as pessoas que para cá vêm não conhecem a cultura local e que não a valorizam.

O pior, é o camarada valorizar o tal dos bandeirantes. Aliás, isso é bem coisa de paulista mesmo. Os bandeirantes entraram pelo país matando índio para tudo quanto é lado. Atiravam em tudo que se movia. Uma beleza. Eles, sim, precisam ser valorizados.

O camarada acha que as 10 milhões de pessoas que vivem na cidade são todas paulistanas. Não sei se o Censo do IBGE vai ser tão detalhista, mas se for, vai provar a esse rapaz que boa parte da população que construiu essa cidade não é nascida em berços paulistas.

A visão desse cidadão e do grupo que ele representa é quase nazista. Será que é essa a cultura de São Paulo? Será que é isso que São Paulo espera dele?

O trecho que ele cita que a cidade produz boa parte das riquezas do país, mas pouco recebe em troca é bizarra. E a distribuição igualitária de renda? Onde fica?

Deixo mais uma pergunta para esses "Jovens Paulistas". Vocês acham que o os sertanejos vão continuar no Estado deles se o investimento feito na região for proporcional aos impostos pagos por eles?

O discurso desse rapaz parece uma propaganda recente do Orestes Quércia no horário do PMDB. Simplesmente, ridículo.

Com certeza, esses mauricinhos nunca estiveram numa comunidade ribeirinha do Pantanal. Nunca viram a seca do Nordeste. Nem sonham que na Amazônia há cidades que dependem apenas da ajuda do governo para viver.

Esses são daquele tipo criado no apartamento da vovó e viviam levando bronca porque derramaram Coca-Cola no tapete enquanto brincavam de peteca na sala. Nas férias, só viajam para a Europa ou Estados Unidos.

Faça-me o favor. Se acha que aqui está insuportável, se o que é diferente lhe incomoda, mude-se para a Suíça. Quem sabe lá, você é respeitado e consegue um bom emprego, injete dinheiro na economia local.

Ah, mas como você não gosta de pedreiros (como deixou bem claro na sua entrevista), só de empreiteiros, lembre-se que além de fazer o projeto da obra, você terá de executá-la também. Mãos à obra, cidadão paulistano.

*PS: Esse post é um desabafo em relação aos ideais desse grupo, que, com certeza, não representa a totalidade dos cidadãos paulistas.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Coisa linda


Não tenho muito o que dizer. A imagem, fala por si. Agora, exatamente nesse instante, gostaria de estar nesse avião. De um lado, um lindo arco-íris. Do outro, o excepcional mar Mediterrâneo da fantástica Nice. Não sou um turista profissional. Mas essa cidade, com certeza é uma das mais bonitas do mundo. Pronto. Já falei demais.
(Crédito da foto: Lionel Cironneau/AP.)