quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Surpreendido

O clima é estranho nessa cidade maluca. Quando faz sol, meu apartamento fica frio. Quando faz frio, ele fica quente. Hoje, saí de casa sem casaco e quando cheguei na esquina vi que tinha feito burrada. Bateu aquela brisa gelada e caíram os primeiros pingos da chuva que caracteriza a terra da garoa.

Coloquei a mão no bolso para pegar a chave e voltar para buscar um casaco. Titubeei. Desisti.

Continuei caminhando em direção ao trabalho. De repente, tive a impressão de que um cara estava me seguindo. Comecei a andar mais rápido e ele apertou o passo.

Olhei para trás com um olhar bravo. O cara esticou a mão com uma nota de R$ 10 e me disse: “Moço, você deixou cair esse dinheiro quando atravessou a rua”.

A grana, que era para eu carregar meu Bilhete Único, estava no mesmo bolso da chave. Fiquei roxo de vergonha por ter pensado mal do cara. Agradeci e fiquei sem reação. O homem deu meia volta e seguiu na direção oposta à minha. Ou seja, ele cruzou comigo na rua e me seguiu apenas para me devolver o dinheiro.

Tá certo que não era uma quantia grande. Tá certo que, em um mundo ideal, esperaríamos que todas as pessoas fizessem isso. Mas estamos numa selva de pedras. Num país dos desiguais. Infelizmente, atos como esses ainda nos surpreendem.

Será que o rapaz que me devolveu o “cascalho” não quer se candidatar a algum cargo público? Se bem que, quando eleitos, muitos deles mudam da água para o vinho. E olha que o vinho nem é dos bons, é um daqueles que custam R$ 3,50 mais um Engov.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lá e cá

Algumas semanas atrás achei que eu estava sendo testado ou participando de algum programa com câmera escondida.

Fui colocar R$ 10 em créditos no meu vale transporte (leia-se Bilhete Único) e entreguei uma nota de R$ 20 ao atendente. Ele me entregou o cartão e quatro notas de R$ 10. Olhei para o dinheiro e, na mesma hora avisei o balconista que o troco estava errado. Que ele tinha me dado R$ 30 a mais.

Com um sorriso estampado no rosto e um chefe olhando atravessado, ele me agradeceu imensamente.

- Ainda bem que você me avisou, senão eu que teria de pagar a diferença do caixa.

No dia seguinte, fui almoçar num pé sujo perto do meu trabalho. O dono de lá é meu camarada, um japonesinho palmeirense, gente boa que só. Quando fui pagar o almoço com o cartão de débito, ele digitou o valor errado. Ao invés de R$ 16,50, escreveu R$ 6,50. Incrédulo com a coincidência, olhei para o lado e procurei a câmera da pegadinha do Mallandro. Mais uma vez, avisei que o valor estava errado.

Uns três dias depois fui a uma churrascaria com dois colegas de bancada. A conta deu R$ 19. No entanto, na hora de cobrar, a tiazinha digitou R$ 0,19 na máquina.

- Não é possível. De novo! - falei.

Sem entender, ela respondeu em um tom áspero:

- De novo o que, meu filho? Algum problema?

- Para mim não. Vai ter para a senhora, se não cobrar a minha conta direito.

Ela corrigiu o valor, deu um sorriso amarelo (era amarelado mesmo, seus dentes pareciam pintados com borra de café velho e fumaça de cigarro barato) e me agradeceu.

Não me vanglorio por essa atitude. Mas fico pê da vida quando duvidam de mim. Exemplo: no meu trabalho há uma máquina de café em que é necessário depositar R$ 0,60 para tomar o capuccino. Depositei o dinheiro, a maldita engoliu as moedas, mas não me entregou a bebida. Liguei para o ramal do pessoal da manutenção e ouvi a seguinte recomendação do atendente:

- Se houve algum problema com a máquina, por favor, envie um e-mail e teremos três dias úteis para lhe responder.

E-mail enviado. Passaram-se três semanas, e nada. Palhaçada. Qual a dificuldade em devolver R$ 0,60 que me foram surrupiados?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Xenofobia paulistana

Pensei em ficar quieto depois que li a entrevista do jovem estudante Willian Godoy Navarro, 22 anos, no Terra Magazine. Mas não me aguento.

Sou brasileiro, sul-mato-grossense, descendente de paraguaio, tomador de tereré e moro em São Paulo. Não poderia ficar calado diante dessa afronta.

Mudei-me para essa cidade porque quis. Estou no território do meu país. Sou livre e vou para onde bem entender.

Antes de prosseguir lendo esse post, veja a entrevista do senhor Navarro, por favor. (Em manifesto na web, jovens paulistas criticam migração)

Em síntese, o cara reclama que a cidade está sendo tomada por nordestinos e outros migrantes. Diz que as pessoas que para cá vêm não conhecem a cultura local e que não a valorizam.

O pior, é o camarada valorizar o tal dos bandeirantes. Aliás, isso é bem coisa de paulista mesmo. Os bandeirantes entraram pelo país matando índio para tudo quanto é lado. Atiravam em tudo que se movia. Uma beleza. Eles, sim, precisam ser valorizados.

O camarada acha que as 10 milhões de pessoas que vivem na cidade são todas paulistanas. Não sei se o Censo do IBGE vai ser tão detalhista, mas se for, vai provar a esse rapaz que boa parte da população que construiu essa cidade não é nascida em berços paulistas.

A visão desse cidadão e do grupo que ele representa é quase nazista. Será que é essa a cultura de São Paulo? Será que é isso que São Paulo espera dele?

O trecho que ele cita que a cidade produz boa parte das riquezas do país, mas pouco recebe em troca é bizarra. E a distribuição igualitária de renda? Onde fica?

Deixo mais uma pergunta para esses "Jovens Paulistas". Vocês acham que o os sertanejos vão continuar no Estado deles se o investimento feito na região for proporcional aos impostos pagos por eles?

O discurso desse rapaz parece uma propaganda recente do Orestes Quércia no horário do PMDB. Simplesmente, ridículo.

Com certeza, esses mauricinhos nunca estiveram numa comunidade ribeirinha do Pantanal. Nunca viram a seca do Nordeste. Nem sonham que na Amazônia há cidades que dependem apenas da ajuda do governo para viver.

Esses são daquele tipo criado no apartamento da vovó e viviam levando bronca porque derramaram Coca-Cola no tapete enquanto brincavam de peteca na sala. Nas férias, só viajam para a Europa ou Estados Unidos.

Faça-me o favor. Se acha que aqui está insuportável, se o que é diferente lhe incomoda, mude-se para a Suíça. Quem sabe lá, você é respeitado e consegue um bom emprego, injete dinheiro na economia local.

Ah, mas como você não gosta de pedreiros (como deixou bem claro na sua entrevista), só de empreiteiros, lembre-se que além de fazer o projeto da obra, você terá de executá-la também. Mãos à obra, cidadão paulistano.

*PS: Esse post é um desabafo em relação aos ideais desse grupo, que, com certeza, não representa a totalidade dos cidadãos paulistas.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Coisa linda


Não tenho muito o que dizer. A imagem, fala por si. Agora, exatamente nesse instante, gostaria de estar nesse avião. De um lado, um lindo arco-íris. Do outro, o excepcional mar Mediterrâneo da fantástica Nice. Não sou um turista profissional. Mas essa cidade, com certeza é uma das mais bonitas do mundo. Pronto. Já falei demais.
(Crédito da foto: Lionel Cironneau/AP.)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Segurança à moda guarani

Se você fosse assaltado em casa e os bandidos se dispusessem a conversar antes de concluir o roubo, o que você faria?

O vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o desembargador João Batista da Costa Marques, recorreu a uma dupla de amigos paraguaios para afastar os ladrões.

Conforme reportagem do Campo Grande News, o magistrado disse aos dois bandidos armados que haviam entrado em sua casa que uns músicos paraguaios chegariam na sua casa e que eles poderiam machucá-los.

Veja um dos trechos mais hilários da reportagem: “Segundo ele [desembargador], os jovens assaltantes só decidiram ir embora sem ferir gravemente ninguém depois de ouvir que estava prestes a chegar no local uma dupla de músicos do Paraguai, cantores de chamamé. ‘Eu disse que paraguaio não tem medo de briga’, lembrou.”

Sabe o que é o pior? Os ladrões acreditaram e se mandaram.

Diante disso, o homem da Justiça (não necessariamente justiceiro) nos ensinou uma lição. Se quiser garantir sua segurança não invista em câmeras de vigilância, não contrate profissionais armados, não confie na polícia, apenas chame seus amigos paraguaios.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sylvester, você deveria estar Starlonge

Pense num cidadão mal agradecido. Multiplique por oito ao quadrado. Pronto. Você chegou ao Sylvester Stallone. Aquele bombadinho que um dia foi o Rambo e o Rocky Balboa.

O camarada teve o trabalho de vir ao Rio de Janeiro, escolher um elenco com atores brasileiros e gravar várias cenas de seu filme que estreia nos próximos dias e, ao final fazer uma piada de mau gosto sobre o Brasil

“Você pode explodir o país inteiro e eles ainda dizem: 'Obrigada! Aqui está um macaco para você levar de volta para sua casa”, disse o ator durante uma feira nos EUA. Vários sites noticiaram a história. Folha, G1, R7...

Palhaçada! Coisa de babaca. O cara mostrou que só tem musculos, e não cérebro.

Isso que dá querer ser bacana com quem não merece. Queria saber como os produtores e atores brasileiros estão se sentindo nesse momento.

O Brasil precisa deixar de ser submisso a esses caras. Lembra-se do filme "Turistas"? Filmado no Brasil, os nativos falavam espanhol. Uma falta de respeito total à nossa cultura. Pelo que me recordo, esse filme foi um fracasso de bilheteria.

Uma boa saída seria todo brasileiro boicotar o filme do Stallone também, o tal de “Os Mercenários”. Aliás, esse nome se encaixa muito bem ao perfil desse cidadão.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A preço de banana

Como os amigos sabem, estou numa fase de economia geral. Isso é bom. Estou reaprendendo a fazer contas. Vocês sabem que jornalista não manja muito disso. Uma coisa que eu não sabia era que nem ex-gerente de banco e ex-reitor de universidade particular, entre outros, também não sabem as regras da matemática.

Estive bisbilhotando o site do TSE (Tribual Superior Eleitoral) para ver quem são os principais candidatos de nossa terrinha. Quis checar quantos "merréis" cada político amealhou nos últimos anos. Lá, é possível notar que o atual governador André Puccinelli (PMDB) e seu antecessor, Zeca do PT, ficaram ricos enquanto assumiram cargos públicos. Se analisar ano a ano suas declarações de bens, nota-se quanto os cofres públicos contribuíram para o bolso desses cidadãos.

Agora, surpreendi-me mesmo com algumas declarações de outros candidatos, que estou até pensando em deixar de fazer uma economia e fazer algumas propostas para esses cidadãos.

A primeira pessoa com quem quero fazer negócios é o vice-prefeito e ex-presidente da Câmara Municipal de Campo Grande e ex-gerente de banco, Edil Albuquerque (PMDB). Para quem não se lembra, ele é aquele que parece o Sonic envelhecido.

Edil declarou que tem dois terrenos no bairro Rita Vieira, quase em frente ao Rádio Clube Campo, que custam, cada um, R$ 693,98. Estou meio por fora dos preços da cidade, mas acho difícil encontrar um pedaço de terra em um local tão valorizado por um preço desses.

O candidato Edil, que é suplente de senador na chapa de Murilo Zauith (DEM), ainda disse ter quatro apartamentos no Bahamas Apart Hotel. Até aí tudo bem, o que chama a atenção é a diferença de preços entre as quatro unidades. Um deles custa R$ 70 mil. O outro, R$ 60 mil. O terceiro vale R$ 37 mil e o último R$ 10.147. Por que essa diferença tão grande?

Para quem gosta de viver pelos ares, vale também propor um negócio para Pedro Chaves dos Santos Filho, ex-reitor da Uniderp e candidato a 1º suplente do senador Delcídio do Amaral (PT).

Ele declarou ter R$ 69 milhões em bens, aplicações financeiras e dinheiro vivo. Mas essa fortuna pode ser maior, se levarmos em conta os valores reais das duas aeronaves que ele disse ter. Na tabela de Pedro Chaves, um Cessna modelo 182 P custa R$ 60 mil. Para quem comercializa esse bimotor, ele pode variar de R$ 180 mil a R$ 400 mil. O outro aviãozinho dele, um Cessna U206 F, custa cerca de R$ 440 mil, porém, na declaração para o TSE o valor é de R$ 150 mil.

Outra que deve valer a pena negociar é a candidata a vice-governadora pela chapa de Zeca do PT, a advogada Tatiana Ujacow (PV). Em sua primeira eleição, ela declarou ter uma fazenda em Ponta Porã que custa R$ 150 mil. Não é possível saber o tamanho desse imóvel. Imagino que uma fazenda seja bem maior do que um sítio ou uma chácara.

Para encerrar minha banca de negociação, não poderia deixar de lado o “eterno” deputado estadual Londres Machado (PR), que tenta seu décimo primeiro mandato consecutivo.

O “dono” da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul declarou patrimônio de R$ 11 milhões. Uma rápida passada de olhos em seus bens me chamou atenção dois apartamentos que ele diz possuir. Um fica na Abraão Júlio Rahe e outro na rua das Garças, ambos em área nobre da capital sul-mato-grossense. Cada um, segundo os cálculos de Londres, custa R$ 27,7 mil. Uma verdadeira pechincha.

Agora, falando sério. Onde estão a Receita Federal e o Ministério Público numa hora dessas?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O pé frio da Copa

A Copa acabou e um vazio ficou no peito de muita gente. Ainda bem que a Espanha ganhou da Holanda, mesmo sem jogar um futebol convincente. Nada contra a seleção laranja, mas seria uma triste ironia ver um time dos caras que implantaram o apartheid vencer em solo sul-africano.

Já pensou o que os africâners diriam aos negros que eles sempre detestaram. Tá certo que na atual laranja mecânica tem alguns negros e o segregacionismo, teoricamente, morreu. Mas sua torcida em solo africano, na maioria, continuava sendo os defensores do apartheid.

Foi bonito ver Nelson Mandela, aos 92 anos de idade e com dificuldades para camimhar, desfilando em um carrinho de golfe no principal estádio da Copa. Sei que esse cidadão não é santo, mas me emociono quase sempre quando vejo sua figura.

Acho que a Espanha só ganhou porque eu, oficialmente, não torci por ninguém na final. Acho que ao lado do Mick Jagger fui um dos pés frios do mundial. Torci para o Brasil e para o Paraguai, ambos caíram nas quartas. Torci para o Uruguai, que caiu na semifinal e acabou em quarto lugar. Depois, deixei de torcer.

Se eu fosse o polvo Paul, a essal altura já teria virado ingrediente de uma paella porque teria errado 80% dos resultados.

Falando em moluscos, foi estranho saber que o presidente brasileiro não estava na partida final do Mundial. Tá certo, que tem muito jogo político nessa história. Mas não é faltando um evento desse porte que o Lula vai conseguir derrubar o ditador Ricardo Teixeira. Esse tirano só não estará na Copa brasileira se ele bater as botas.

Parabéns, Espanha. Que venha 2014! Mas antes tenho de comprar um par de meias de lã.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Quaaaaaaase!!!!


Quem achava que no Brasil havia guerreiros parece que não conhece o povo guarani. Demorei para escrever algo porque ainda estava meio de ressaca. Por pouco, o sonho de ser semifinalista de uma Copa não foi realizado.

O Paraguai jogou certinho. Quase não deu espaços para a seleção que tem como símbolo um bicho chifrudo.

Calou a boca de quem achava ser impossível marcar a Espanha por pressão durante 90 minutos. Só perdeu porque do outro lado havia os iluminados Pedro, Villa e Iniesta. Aliás, esse parecia que estava morto durante toda a partida, quando, de repente acordou, fez a jogada do único gol válido da peleja.

Se o juiz tivesse sido um pouco mais justo, o pênalti perdido por Cardozo teria de ser batido novamente. Foi clara a invasão dos espanhóis na área durante a cobrança.
Villar jogou muito. Santana correu como um louco. Váldez mostrou que a vontade de passar de fase era maior do que o peso de sua barriga. Gerardo Martino soube como montar o time, mas talvez poderia ter colocado Barrios ou Santa Cruz um pouco mais cedo.

Mas tudo bem. O negócio é levantar a cabeça e mostrar para o mundo o valor do povo paraguaio.

Hoje, o presidente Lugo homenageou os atletas e a comissão técnica. Num dia festivo, duas notícias tristes. O atacante Roque Santa Cruz disse que só deve jogar na seleção até a Copa América, no ano que vem na Argentina e o treinador Gerardo Martino anunciou que deverá deixar o time. Recebeu proposta para dirigir os hermanos, em substituição ao gordinho Maradona, ou o México.

A notícia boa do fim de semana foi que a Argentina levou quatro da Alemanha. Adiós Messi y Tevez. Hasta Luego Mascherano. Bando de mascarados. Vocês nunca me enganaram.

Brincadeiras à parte, a Copa perde um pouco do brilho sem três sul americanos na disputa. Resta apenas o Uruguai. Se as cartas não forem marcadas, eles têm chances.

Foto: Santa Cruz recebe medalha de Fernando Lugo (Reuters)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ufanismo e decepção


Ok, assumo que errei em confiar, ainda que “unfanisticamente”, na seleDunga. Mas não esperava uma eliminação dessa forma. Vencer de virada é uma delícia. Perder dessa forma é terrível.

Muita gente vai procurar culpados pela eliminação. Assim como os 190 milhões de técnicos espalhados por esse país, vou apontar os meus na ordem de importância:

1. Dunga
Convocou um bando de volantes e esquece que futebol não é feito só de marcação. Chamou os guerreiros para batalha, mas esqueceu os craques em casa. Cabeça dura que é, levou muito em conta o comprometimento. Por isso, na hora que precisou, olhou para o banco de reservas e não encontrou quem precisava para desequilibrar uma partida. A era Dunga termina de maneira melancólica.

2. Kaká
Eu já sabia. Esperar que um bambi assuma a função de craque do time é querer demais. No primeiro post que tratei da Copa 2010 disse que ele era o Raí desse Mundial. Da forma que jogou reafirmo esse posicionamento. O cara amarelou na hora em que mais precisamos dele.

3. Felipe Melo
No jogo contra a Holanda, foi do céu ao inferno em menos de uma hora. Fez um lançamento extraordinário para o Robinho fazer um golaço. Depois, voltou a ser o velho volante da Juventus que todo mundo conhece. Eleito o pior jogador do campeonato italiano, fez um gol contra, assistiu o nanico Sneijder fazer um gol de cabeça e cometeu uma falta infantil, grotesca e desleal no caicai do time deles. Vergonhoso.

4. Robinho e Luis Fabiano
Oscilaram bons momentos com atuações apagadas durante toda a competição. Os dois, ao lado do Kaká, deveriam assumir a responsabilidade para levar o time para frente. Pela máscara de um e pela instabilidade do outro, é bem possível que continuem jogando em times medianos da Europa.

5. Euros e dólares
É desproporcional a garra que esses guerreiros têm em seus clubes. Na seleção, quase ninguém apresenta essa mesma vontade. Deve ser porque lá, eles ganham muito dinheiro, enquanto aqui, “somente” representam uma nação de palhaços.

Para não dizer que só falei mal, vamos ser honestos e elogiar quem merece. O capitão Lúcio e seu companheiro de zaga Juan. Esses sim, são guerreiros e bons jogadores ao mesmo tempo. Pena que na Copa que o Brasil irá hospedar, eles provavelmente já estarão aposentados.

Ainda bem que temos o Paraguai para torcer. A parada para os guaranis será muito mais difícil do que a dos canarinhos. A Espanha é um time muito mais encardido do que a Holanda. Além disso, se passarem ainda terão a Argentina ou a Alemanha pela frente, antes da grande final.

Nossa Senhora do Caacupé terá que os ajudar muito. Senão, nos vemos em 2014.

*PS: Quem será nosso próximo técnico? No cenário de hoje vejo dois nomes: Felipão ou Mano Menezes. Mas do jeito que o Ricardo “Nike” Teixeira se comporta, é bem provável que ele invente um novo treinador. Leonardo? Neto? Vampeta? Só o futuro dirá.

*PS2: Há quem diga que os responsáveis pela eliminação do Brasil foram dois torcedores pés-frios que estavam no estádio. O presidente do Corinthians e chefe da delegação brasileira na África do Sul, Andrés Sanchez, e o cantor Mick Jagger. Esse, aliás, conseguiu eliminar Inglaterra e EUA. Ele bem que poderia ir ao estádio e torcer para a Argentina amanhã.

(Foto: Roberto Candia/AP)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ahora, somos nosotros

Pare de Sofrer! Paraguai coração guerreiro! Estamos entre os oito melhores do mundo! Tivemos mais coração do que futebol!

As frases acima são algumas das manchetes na imprensa guarani. Essa nem o Lugo esperava. Vencer os japoneses nos pênaltis depois de um jogo feio foi de matar o guarda.

Nunca antes na história das Copas o Paraguai chegou tão longe. Nem mesmo a geração de Chilavert, Gamarra e Arce alcançaram tamanho êxito em um Mundial.

O melhor disso tudo, foi tirar sarro de uns torcedores do Japão que estavam perdido na minha vizinhança. Ainda ganhei R$ 2 de um colega.

Foi sofrido, mas chegamos. Agora é só correr para o abraço e torcer para atropelar a Espanha ou Portugal nas quartas de final.

Já pensou se tivermos duas semifinais só com sulamericanos? De um lado Brasil contra Uruguai. Do outro Paraguai contra Argentina. Haja coração. Cala boca, Galvão!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O presidente torcedor

Este é um país que ama o futebol. Ama tanto que o presidente se reúne com seus ministros vestindo o manto da seleção.

Brasil? Claro que não! Quem vai se animar com esse futebolzinho meia boca. Falo, obviamente, do Paraguai.

Só vi hoje, mas rola no YouTube desde o dia 17 de junho uma entrevista com o presidente Fernando Lugo em que ele incentiva a sua seleção. Diz que o empate contra a [combalida] Itália foi glorioso e elogia todo o plantel guarani.

Apesar da paixão, Lugo é realista ao dizer que não sabe se o time guarani será campeão. “Sei que chegaremos longe”. Acertou que passariam da primeira fase. Agora enfrentam os nipônicos.

Sobre suas preferências de times, parece que ele não entende muito de futebol. Destacou duas seleções europeias (Alemanha e Inglaterra) e duas asiáticas (Japão e Coreia do Sul) como boas equipes. Talvez esse posicionamento tenha acontecido para não querer se render para os colegas sulamericanos. Vai entender!

E os jogadores preferidos? O camaronês Samuel Eto’o, o argentino Lionel Messi e os paraguaios Villar (goleiro) e Roque Santa Cruz (atacante). E o Cristiano Ronaldo? Até ele sabe que esse cara é uma fraude.

Se nem o Lugo acredita na seleDunga, será que devo eu acreditar? Bom, depois do futebolzinho medíocre apresentado hoje acho difícil. Torço para que mude. O Kaká vai ter mais uma chance de mostrar que não é o Raí. Se não, o Técnico-Anão vai ficar desempregado rapidinho. O time sem o Príncipe do Real Madrid é sofrível.

O tal do Julio Baptista mostrou porque é reserva na Roma. Felipe Melo é um Dunga mais forte. Grosso que só ele. Para piorar o time é um saci. Só sabe jogar pelo lado direito. Ninguém encosta no Michel Bastos para ajudá-lo na lateral esquerda.

terça-feira, 15 de junho de 2010

PY neles!

A Copa do Mundo começou e tudo parece que se acalmou na terrinha guarani. O único barulho que se ouviu, conforme relatos, foi o da comemoração do empate com a Itália.

Por mais que os comedores de macarrão estejam em um período um tanto crítico, eles são os atuais campeões mundiais. Por isso, a comemoração é merecida. Ainda mais se for ao som de polca e regado a muita sopa paraguaia e chipa.

Imagina se um mexicano maluco não tivesse baleado o atacante gordinho Cabañas. O Paraguai ia voar! Aliás, me disseram recentemente que Cabañas na verdade é o apelido dele. O nome verdadeiro é Casa das Banhas.

Agora, do lado de cá da fronteira, resta-nos torcer para Drogba e metade do time da Costa dos Martins (como diria um bebum) terem uma infecção intestinal no próximo domingo.


Com o futebolzinho apresentado pela seleDunga, dificilmente chegaremos nas quartas, quiçá nas oitavas de final. Vergonhoso. Sofrer para ganhar de 2x1 da Coreia do Norte é constrangedor. Até o Asa de Arapiraca golearia esse timeco juvenil.

Arrisco até a dizer que o Kaká será o Raí de 2010. Lembram-se como o nosso capitão naquele ano amarelou com a amarelinha? Ambos tem várias semelhanças, começaram no mesmo time, jogam na mesma posição e, na hora de chamar a responsabilidade, tremem na base.

Espero chegar ao final da Copa e escrever algo totalmente diferente disso. Quero que o Kaká e Dunga mudem minhas conclusões. E se não der Brasil, PY neles!

sábado, 29 de maio de 2010

Batendo em cachorro morto

O estado de exceção não deu em nada. O tal do EPP se aquietou no Paraguai. É o que parece.

Enquanto isso, na outra fronteira, os bolivianos estão de cabelo em pé e com a faca nos dentes contra os tucanos da política brasileira. Dizer que um governo é conivente com o tráfico de cocaína, sem ter provas, é no mínimo irresponsável.

E quando o tucano-vampiro foi governador? Ele conseguiu diminuir o tamanho da cracolândia na paulicéia desvairada? Ele reforçou o policiamento em suas divisas com o Mato Grosso do Sul e o Paraná para evitar que a cocaína dos bolivianos invadisse o tão querido centro econômico do Brasil?

Falar é fácil. Agir, contudo, nem tanto.

A Colômbia, que é unha e carne com a turma do Tio Sam ele não critica. Os próprios yankees, que ao lado dos europeus, são os maiores consumidores das drogas provindas da América do Sul também não recebem nenhuma reclamação por parte desse cidadão.

Qual seria o rumo de nossa diplomacia nas mãos de um governante como esse? Tudo isso é assustador!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Começou a guerra

Senador ferido. Exceção decretada. Exército na rua. Milícia também. Brasileiro preso. Paraguaio apreensivo. Bispo no governo. Maconha na fronteira. Helicóptero no ar. EUA na retaguarda. Brasil só olhando. Ingredientes de uma guerra que acabou de começar no quintal sul-americano.

sábado, 24 de abril de 2010

Exceção ou perpetuação?

O bicho tá pegando do lado de lá da fronteira.

Um tal de Exército do Povo Paraguaio está aterrorizando ao menos cinco departamentos (estados) guaranis. Já sequestraram fazendeiro, explodiram prédio público, atacaram delegacias e mataram quatro pessoas em uma fazenda depois de uma emboscada.

Diante desse cenário, a Câmara dos Deputados aprovou o estado de exceção, segundo o qual autoriza a suspensão das garantias constitucionais por 30 dias e permite ao governo emitir mandados de prisão, proibir os agrupamentos de populares e os protestos. A proposta ainda precisa ser aprovada em segunda votação no Senado, antes que passe a valer.

O estado de exceção deverá valer em três departamentos que fazem fronteira com estado brasileiro de Mato Grosso do Sul: Alto Paraguai, Concepción, Amambay. Além de San Pedro e Presidente Hayes.

O EPP é um grupo guerrilheiro de esquerda que possui cerca de 100 integrantes e, segundo as autoridades paraguaias, estaria se armando para promover uma revolução. Há a suspeita de que o grupo seja financiado e até treinado pelas Farcs, da Colômbia.

Apesar de haver indícios de ser um grupo organizado, ainda não há provas robustas de que todos os atentados tenham sido cometidos por membros do EPP. Não sou um profundo conhecedor da legislação guarani, mas tenho a impressão de qualquer estado de exceção é temeroso. Talvez a saída fosse reforçar a segurança desses departamentos enviando o exército oficial e aumentando o policiamento da região.

O estado de exceção de Lugo, um ex-bispo de esquerda, pode, na minha visão, ser o primeiro passo para uma perpetuação de poder. Gostaria de estar errado.

Mais sobre o assunto, nos links abaixo:

ABC Color / Estadao / R7 / Folha -1 / Folha -2 / Folha -3

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Diferentes atitudes

E assim falou o presidente: “Todos que tiverem problemas com a Justiça e se demonstre sua culpabilidade não tem lugar em um governo institucionalista e democrático”. “Qualquer pessoa que tiver dificuldades com a Justiça, creio eu que eles terão de renunciar para dar continuidade ao processo de investigação de seus respectivos feitos”, completou o chefe da nação.

Lendo assim, qualquer um se espantaria se as palavras fossem de um presidente brasileiro. E se fosse do presidente do Paraguai? O espanto seria o mesmo?

Pois bem, as duas frases foram ditas pelo mandatário guarani Fernando Lugo durante uma coletiva de imprensa ao ser indagado o que ocorreria com o ministro do Esporte de seu governo que passou a ser investigado em um processo judicial.

Dias depois, o então ministro Javier Darack foi demitido do cargo. Ok, ok. Você vai me dizer que o Paraguai está enfrentando uma crise por conta dos escândalos sexuais do bispo-presidente e por conta das denúncias de corrupção. Tem razão. Mas um presidente admitir que vai exonerar seus subalternos por conta de investigação não é algo comum na América Latina.

Não me lembro de isso ocorrer no Brasil, que tanto critica o Paraguai!

Foram poucos os casos recentes. Aliás, me recordo muito bem de dois: José Dirceu e Antonio Palocci. Mas nos casos deles, se o presidente Lula não os tirassem de seus cargos, era decretar um suicídio político.

Outro ponto que chama atenção na postura de Lugo é que ele frequentemente enfrenta toda a imprensa de seu país. No começo de sua gestão, havia uma entrevista coletiva semanal, na qual o presidente fazia um breve pronunciamento sobre as ações do governo e, em seguida, respondia a todas as perguntas dos jornalistas. Atualmente, ao que me parece, elas não são tão frequentes, mas ocorrem pelo menos uma vez por mês.

Melhor ainda é que a população pode acessar as entrevistas na íntegra no site oficial da presidência paraguaia. Nela são identificadas também os repórteres que perguntaram. Que bela transparência, não?

Voltando ao país tupiniquim. Quantas coletivas o Lula deu desde que assumiu o cargo em 2003? Acho que dá para contar nos dedos de uma única mão.

Enfim, desde que o mundo é mundo, todos os governos enfrentam denúncias de corrupção ou qualquer. Cabe a cada um se posicionar adequadamente diante dessas irregularidades, sem levar em conta o jogo político. Será que isso é tão difícil?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Surpresa da Tijuca

Plantão de Carnaval é tudo igual. A TV ligada e a preocupação com o movimento nas estradas. O chefe gritando para botar a legenda na foto. O fotógrafo que passa informações truncadas. O editor da primeira pedindo para alterar o texto que já estava pronto...

Enquanto isso, a família lá, curtindo a festança, passeando com as crianças ou só de papo para o ar, mesmo.

Na Redação, entra escola e sai escola você não nota nenhuma diferença, seja no Rio ou em São Paulo. Um monte de mulher siliconada, quase nuas e "deixando cair" o minúsculo tapa sexo.

Ontem, depois de tanto ouvir o ziriguidum decidi olhar para a TV. Eis que me surpreendo e vejo a comissão de frente da Unidos da Tijuca. Quem não viu, perdeu. Mas como a internet sempre nos ajuda, clique aqui para conferir.

Ver as bailarinas trocarem de roupa de repente, foi fantástico. O truque era barato, mas compôs muito bem com o enredo da Tijuca: "É segredo".

Hoje, como não poderia ser direrente, a rede Bobo desvendou o mistério. Até agora, não encontrei o vídeo, e, para mim, é difícil explicar em palavras. Mas quem tiver tempo, dê uma boa olhada na matéria que daqui a pouco deve ser inserida no mundo virtual.

Veja bem, quem vos escreve é uma pessoa que adora samba, mas há un 12 anos deixou de gostar de samba enredo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

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Lendo assim parece que crianças estão aprendendo a contar. Não?

Mas engana-se. Essa é a idade que São Paulo comemora hoje, dia 25 de janeiro de 2010. Uma cidade tão velha e tão moderna ao mesmo tempo. Louco né? Nunca vi lugar com tanta gente diferente. Com cabelos das mais variadas cores, com opções sexuais, musicais, gastronômicas e profissionais tão esdrúxulas.

O mais doido nisso tudo é que o poeta (ou era compositor?) costumava chamar a cidade de “Terra da Garoa”.

Acho que se a poesia (ou é uma música?) fosse composta hoje, o apelido seria outro: “Terra da Enchente”. Ok, ok, está certo que há mais de um mês não para de chover nesse “mundinho” de Deus.

Do jeito que está o seu “Taxab”, o Prefeito Gordinho, vai ter que mudar o Bilhete Único. O tal do cartãozinho vai ter que dar acesso também a bote, lanchas, chalanas, barcos, e derivados, e não só a ônibus e metrô.

Aliás, dias desses um amigo meu me disse que na terra dele a única encomenda que chega é a feita pelo Submarino. As outras todas estão encalhadas. Provavelmente, estão esperando o rio Tietê parar de transbordar ou o Jardim Pantanal se tornar Jardim Saara.